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Como a corrida fortalece comunidades LGBTI+

Por:Trans no Corre

Atualizado em 29 de agosto de 2025

Como a corrida fortalece comunidades LGBTI+

Foto: O2Corre

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O esporte ainda é um espaço marcado por barreiras discriminatórias como a lesbofobia, bifobia, homofobia, transfobia e outras violências. Ao mesmo tempo, importantes avanços vêm se consolidando nas últimas décadas: cresce a visibilidade de atletas LGBTQIA+ e se multiplicam coletivos e equipes inclusivas em diferentes modalidades, segundo o estudo “Diversidade e Inclusão no Esporte: conquistas e desafios da comunidade LGBTQIA+ no Brasil”. Nesse cenário, a corrida de rua, antes vista apenas como prática individual de condicionamento físico, vem se afirmando como um poderoso instrumento de resistência, pertencimento e transformação social.

O ato aparentemente simples de correr ganha força quando é feito em grupo. Cada treino passa a ser mais do que exercício físico: é um espaço de convivência, de criação de vínculos e de reafirmação da identidade, além da construção de saúde física e mental de forma individual e coletiva. A corrida de rua, assim, deixa de ser uma atividade solitária para se tornar um ato coletivo e político, que ajuda a combater o isolamento social e a naturalizar a presença de corpos dissidentes pela cidade.

O impacto, no entanto, vai além da dimensão simbólica. Os efeitos fisiológicos da corrida são conhecidos: praticar atividade física ao ar livre estimula a liberação de serotonina e endorfina, hormônios associados à sensação de bem-estar. Isso é especialmente relevante diante de um quadro em que mais de 50% dos jovens LGBTQIA+ sofrem de ansiedade, depressão ou estresse pós-traumático, conforme aponta pesquisa realizada no Hospital das Clínicas de Porto Alegre. No Brasil, país que mais mata pessoas trans, iniciativas de inclusão esportiva são também iniciativas de saúde pública. Como resume, em entrevista ao iG Queer, o educador físico Leonardo Peçanha, trata-se de um cuidado integral: “É o cuidado, tanto do nosso corpo, quanto da nossa saúde mental”.

Outro aspecto central é o direito à cidade. A corrida possibilita ocupar coletivamente espaços que, muitas vezes, são hostis à existência LGBTQIA+. Ao se apropriar das ruas, a prática esportiva se converte em forma de resistência e de afirmação de cidadania. Mais do que percorrer quilômetros, trata-se de marcar presença e reivindicar visibilidade em um território que historicamente tentou excluir esses corpos, conforme aponta a pesquisa sobre Direito à Cidade: A Reivindicação de Corpos Dissidentes.

As experiências de corrida de rua inclusiva representam mais do que lazer ou condicionamento físico: são estratégias de ocupação do espaço público e de reafirmação de existência.

Em tempos de retrocessos e ataques a direitos, transformar a corrida em plataforma de visibilidade, cuidado e inclusão é uma estratégia de resistência. Afinal, superar desafios não significa apenas cruzar a linha de chegada, mas garantir que todas as pessoas possam correr sendo respeitadas pelo que são.

 

Referências

+Diversidade; IBOPE Inteligência. Diversidade e Inclusão no Esporte: conquistas e desafios da comunidade LGBTQIA+ no Brasil. São Paulo, 2020. Disponível em: https://maisdiversidade.com.br. Acesso em: 15 agosto 2025.

IG QUEER. ‘Trans No Corre’: grupo promove atividade física e debate transfobia. 2024. Disponível em:<https://queer.ig.com.br/2024-03-28/trans-no-corre-grupo-promove-atividade-fisica-e-debate-transfobia.html>. Acesso em: 15 agosto 2025.

FORZIATI C., DANILO. Direito à Cidade: a reivindicação de corpos dissidentes. Monografia (Bacharelado em Ciências Sociais) – São Paulo: Universidade Federal de São Paulo. 2025. Disponível em: <https://hdl.handle.net/11600/74882>. Acesso em: 15 agosto 2025.

Terra T, Schafer JL, Pan PM, Costa AB, Caye A, Gadelha A, Miguel EC, Bressan RA, Rohde LA, Salum GA. Mental health conditions in Lesbian, Gay, Bisexual, Transgender, Queer and Asexual youth in Brazil: A call for action. J Affect Disord. 2022. Disponível em: < https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34715179/> Acesso em: 15 agosto 2025.

 

Crédito da imagem: Envato

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