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Do consultório à pista: o que aprendi sobre as lesões dos corredores

Por:Ana Paula Simões

Atualizado em 29 de agosto de 2025

Do consultório à pista: o que aprendi sobre as lesões dos corredores

Foto: O2Corre

    Neste Artigo

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Vamos conversar sobre o que mais vejo em 25 anos trabalhando com atletas: as temidas  lesões dos corredores! A corrida é simples, mas o corpo do corredor, não.

O gesto repetitivo, o impacto acumulado, a emoção que acelera o passo e o desejo de ir além… Tudo isso pode ser libertador, mas também pode ser o início de uma jornada de dor, frustração e dúvida, quando não acompanhada por um especialista em esporte.

Se você já se lesionou correndo, sabe que a dor física é só uma parte do problema.

A outra parte é o silêncio que antecede as perguntas: “Volto a treinar?”, “Espero mais uma semana?”, “Faço gelo, troco o tênis, mudo o treino, corro com dor ou paro de vez?”, “E a minha prova?”.

É por isso que estou de volta ao O2. Como ortopedista, médica do esporte e corredora amadora, venho com a missão de unir a ciência à prática real da corrida e criar um espaço de informação clara, com profundidade técnica e empatia por quem sente a lesão na pele, mas também no coração.

Lesões na corrida: as que mais vejo, as que mais te afetam?

De acordo com uma das maiores revisões sistemáticas publicadas até hoje sobre lesões em corredores — van Gent et al., British Journal of Sports Medicine, 2007 ; a taxa de lesões entre corredores recreacionais varia entre 19,4% e 79,3% por ano. Isso mesmo: a maioria dos corredores vai se lesionar em algum momento.

E, na minha prática clínica e cirúrgica, os quadros mais frequentes seguem exatamente o que a literatura aponta:

🔸 Síndrome da dor patelofemoral (joelho do corredor) – responsável por até 40% das lesões em praticantes de corrida, costuma aparecer com dor na frente do joelho, principalmente em descidas, escadas ou após tempo prolongado sentado.

🔸 Fasciopatia plantar – a famosa “fasceíte”, que hoje sabemos que nem sempre é inflamatória. Causa dor na base do calcanhar, logo ao levantar da cama, e pode persistir por meses se não for tratada com abordagem de carga adequada.

🔸 Síndrome da banda iliotibial – dor lateral no joelho, especialmente após quilometragens maiores, típica em corredores que aumentam volume rápido ou têm fraqueza glútea associada.

🔸 Tendinopatia do calcâneo (tendão de Aquiles) – muito comum em homens acima dos 35, com dor e rigidez matinal, mais comum após treinos de tiro ou rampas.

🔸 Fraturas por estresse – embora menos frequentes, são perigosas por sua gravidade. Afetam principalmente mulheres, corredores de longa distância, e podem ocorrer no metatarso, tíbia ou pelve. O diagnóstico precoce é fundamental.

Outras que vemos cada vez mais: lesões nos fibulares, canelite (síndrome do estresse medial da tíbia), e lesões de cartilagem do tornozelo – especialmente em quem corre na trilha, ou com histórico de entorses.

Ciência, experiência e escuta: meu compromisso aqui

Em cada matéria que você vai ler nesta coluna, trarei referências atualizadas, evidências sólidas e, principalmente, um olhar clínico de quem acompanha corredores no consultório, na cirurgia, na pista e no pódio.

Não é só sobre tratar lesão. É sobre entender o contexto, ajustar a carga, avaliar o gesto, prevenir a recidiva e resgatar a confiança.

E, mais do que isso, quero escutar você.

O que te machucou?

Qual lesão ninguém resolveu?

O que você sempre quis perguntar a uma médica que também corre — mas nunca teve coragem ou tempo na consulta?

Essa parceria com a O2 é um convite: vamos conversar. Me escreva, comente, mande sua dúvida, sua história. Vou responder com a seriedade de quem vive a ortopedia no mais alto nível técnico, mas também com o entusiasmo de quem calça o tênis toda semana.

Nos vemos na próxima edição. E, quem sabe, no mesmo pelotão.

Bons treinos, valentes!

 

Referências

  • van Gent, R. N., Siem, D., van Middelkoop, M., van Os, A. G., Bierma-Zeinstra, S. M., & Koes, B. W. (2007). Incidence and determinants of lower extremity running injuries in long distance runners: a systematic review. Br J Sports Med, 41(8), 469–480. https://bjsm.bmj.com/content/41/8/469
  • Lopes, A. D., Hespanhol Junior, L. C., Yeung, S. S., & Costa, L. O. P. (2012). What are the main running-related musculoskeletal injuries? A systematic review. Sports Med, 42(10), 891–905.
  • Roper, J. L., et al. (2021). Achilles tendinopathy: clinical review and proposed algorithm for diagnosis and treatment. BMJ Open Sport & Exercise Medicine, 7(1), e000914.

 

Crédito da imagem: Freepik

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