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Por que alguns corredores evoluem mais rápido do que outros?

Por: Daniela Sevilha

Publicado em 28 de julho de 2026

Por que alguns corredores evoluem mais rápido do que outros?

Foto: O2Corre

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Quem corre com frequência provavelmente já passou por uma situação frustrante: os treinos estão em dia, a quilometragem aumentou e o esforço parece maior, mas o relógio insiste em mostrar praticamente o mesmo pace. Ao mesmo tempo, basta olhar para o lado para encontrar alguém que começou a correr há menos tempo e já está conquistando marcas melhores.

A comparação é inevitável, mas a ciência mostra que ela pode ser bastante injusta. Segundo pesquisas na área da fisiologia do exercício, a evolução na corrida não depende apenas do volume de treinos. O organismo responde de forma diferente aos estímulos, e fatores como descanso, alimentação, fortalecimento muscular, histórico esportivo e até características individuais influenciam diretamente a adaptação ao exercício.

Um estudo publicado pelo American College of Sports Medicine (ACSM) reforça justamente essa ideia. Após analisar dezenas de estudos sobre treinamento físico, os pesquisadores concluíram que a regularidade é um dos principais fatores para a evolução do desempenho, superando estratégias que apostam apenas em aumentar intensidade ou quilometragem. Essa constância permite que o corpo passe por um processo conhecido como adaptação fisiológica. A cada treino, músculos, sistema cardiovascular e metabolismo recebem estímulos que precisam de tempo para produzir ganhos reais de desempenho.

Por isso, descansar também faz parte do treinamento. O estudo do ACSM alerta que o excesso de carga, sem recuperação adequada, pode provocar justamente o efeito contrário ao esperado: queda no rendimento, fadiga persistente e aumento do risco de lesões. Outro ponto interessante é que a evolução nem sempre aparece primeiro no cronômetro. Antes de baixar o pace, muitos corredores apresentam mudanças menos perceptíveis, mas igualmente importantes. A frequência cardíaca durante os treinos tende a diminuir, a recuperação acontece mais rapidamente após o esforço e percursos que antes pareciam difíceis passam a ser concluídos com menor sensação de cansaço.

Essas adaptações são consideradas indicadores clássicos de melhora da capacidade aeróbica e da eficiência cardiovascular, descritos em diferentes estudos sobre treinamento de endurance. Outro aspecto que ajuda a explicar por que cada corredor evolui em um ritmo diferente é a chamada variabilidade individual. O próprio ACSM destaca que idade, experiência esportiva, composição corporal, qualidade do sono e fatores genéticos fazem com que duas pessoas submetidas ao mesmo treinamento obtenham resultados distintos. Isso significa que comparar planilhas ou tempos nem sempre é uma boa referência.

Na corrida, evolução raramente acontece de forma linear. Há semanas em que o relógio parece não mostrar progresso algum, enquanto o corpo continua construindo adaptações importantes. Quando elas se consolidam, os resultados costumam aparecer naturalmente.

No fim das contas, a ciência reforça aquilo que muitos corredores descobrem na prática: quem mantém a regularidade, respeita os períodos de recuperação e entende que cada organismo tem seu próprio tempo costuma construir uma evolução mais consistente e duradoura.

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