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Por: Daniela Sevilha
Publicado em 13 de outubro de 2026

Foto: O2Corre
Neste Artigo
Quem começa a correr pensando apenas em melhorar o condicionamento físico ou perder peso costuma descobrir, com o passar do tempo, um benefício que vai muito além dos quilômetros percorridos. A sensação de bem-estar depois de um treino, a redução do estresse após um dia intenso de trabalho e até uma melhora na qualidade do sono são efeitos frequentemente relatados por corredores. E eles não são apenas uma percepção individual: a ciência vem demonstrando que a corrida pode exercer um papel importante na saúde mental.
A prática regular de atividade física é considerada uma das estratégias mais eficazes para promover o bem-estar emocional. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que adultos realizem entre 150 e 300 minutos de atividade física moderada por semana, destacando que esse hábito está associado não apenas à redução do risco de doenças cardiovasculares, diabetes e alguns tipos de câncer, mas também à diminuição dos sintomas de ansiedade e depressão, além da melhora da função cognitiva e da qualidade de vida.
No caso da corrida, os benefícios podem aparecer já nas primeiras semanas de prática. Durante o exercício, o organismo libera substâncias como endorfinas, serotonina e dopamina, neurotransmissores relacionados à sensação de prazer, recompensa e bem-estar. Embora popularmente esse fenômeno seja conhecido como runner’s high, pesquisadores explicam que ele resulta de um conjunto de respostas fisiológicas e neurológicas desencadeadas pela atividade física.
Os efeitos positivos também foram observados em uma das maiores revisões científicas já realizadas sobre o tema. Publicado no British Journal of Sports Medicine, um estudo que reuniu resultados de mais de mil pesquisas concluiu que a atividade física proporciona melhora significativa em sintomas de depressão, ansiedade e sofrimento psicológico, independentemente da idade ou da condição de saúde dos participantes. Segundo os autores, pessoas fisicamente ativas apresentam, em média, melhores indicadores de saúde mental do que aquelas que mantêm um estilo de vida sedentário.
Outro benefício importante aparece quando o assunto é o estresse. De acordo com a American Psychological Association (APA), a prática regular de exercícios ajuda o organismo a responder de forma mais equilibrada às situações de tensão do dia a dia. Além de reduzir os níveis de cortisol, hormônio associado ao estresse, a atividade física favorece a sensação de relaxamento após o esforço e contribui para uma maior estabilidade emocional ao longo do tempo.
Isso não significa que correr substitua tratamentos médicos ou psicológicos quando eles são necessários. A própria OMS ressalta que a atividade física deve ser entendida como parte de um conjunto de hábitos saudáveis e pode atuar como importante complemento na promoção da saúde e na prevenção de transtornos mentais, sempre respeitando a orientação de profissionais de saúde quando houver indicação clínica.
Em um momento em que o estresse, a ansiedade e o excesso de tempo diante das telas fazem parte da rotina de milhões de pessoas, reservar alguns minutos para calçar o tênis e sair para correr pode representar muito mais do que um treino. Pode ser uma oportunidade de desacelerar a mente, respirar melhor e lembrar que, muitas vezes, o maior benefício da corrida não está no relógio ou na linha de chegada, mas na forma como ela transforma o dia de quem pratica.